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RADI OLIVEIRA
( BAHIA - BRASIL )
A autora por ela mesma: “Brasil, nordeste, mulher, negra, pobre, eu sou.
Era abril, tarde de 1980 quando nasci filha de Santo Amaro da Purificação — terra de Araújo, Veloso e... Besouro Cordão de Ouro. Quando menina, seguindo meu pai, me perdi em Minas, Ceará, Paraná, em tantos lugares, e se deu em janeiro, tarde quase noite de 1995, quando me achei em Diadema- SP.
SARAU AFRO MIX. ANTOLOGIA POÉTICA. Organizador: Quilombhoje. [coordenação Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. Desenho da capa Edmilson Q. Reis. São Paulo: Quilombhoje. Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra. 2009. 80 p. Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. ISBN 978-85-87138- 28-7 No. 10 947
Brasileiro Boi
É verde patavina
Alma de caju
Esqueleto de cajueiro
O vento deu um berro
Na carcaça da boiada
Sobrou o berrante pro boiadeiro
Morreu o espírito desnutrido
O menino da porteira
Que gritava quando o boiadeiro passava
Chamando a boiada:
— Bom dia, boi José. Bom dia, boi João!
Bom dia, boi Nicolau. Bom dia, boi Sebastião!
Bom dia, boi Francisco. Boi Antonio, Virgulino,
Bom dia, boi Firmino, bom dia boi, bom dia! — Bom.
Dia boiadeiro Severino?
Eia, eia. Passa, boi, eia!
A alma da seca brasileira.
Noite, céu vazio, a janela sangra.
Na parede da varanda
as fotografias desmaiam
molduras, são meus olhos... abismo.
Lacrimejando canções de exílio,
o violão sem fôlego sola.
Na mar-ca-ção de um coração que canta o destino
em timbres bêbados...
Segurando
a alma
acalentando
a arma
segurando
a arma
acalentando
a alma.
Noite céu vazio, a janela sangra.
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Página publicada em maio de 2026.
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